29 de junho de 2020

Bolas fora do handebol mourãoense nos Jogos Abertos do Paraná

Esta semana recebi e-mail do professor Idê (Idevalci Ferreira Maia) querendo ajuda para contar a história do handebol de nossa cidade e, por isso, nesta edição, rememorei algumas passagens pelo esporte, que hoje é o mais praticado nas escolas brasileiras.

Faço parte dos primeiros praticantes da modalidade em nossa cidade, juntamente com os irmãos Arnaud e Marcelo Silveira, Beto Durski, Jair Grasso, João Silvio Persegona, Marcão Alcântara, Ricardo Grabowski, Fernando Duglosz (in memorian), Marquinhos Pelisser, João Barbosa, David Miguel Cardoso...

Muitas foram as nossas conquistas, tanto no masculino como no feminino. Mas, não sei por que, o que me vem mais na memória, nesse momento, foram “bolas foras” que proporcionamos justamente na época em que nosso handebol era um dos mais fortes do Paraná.

Em 1976, na primeira vez que Campo Mourão sediava um Jogos Abertos (Jap´s), nossos dirigentes optaram por importar atletas de fora em detrimento de muitos atletas locais (prática comum até hoje, infelizmente) e conquistaram a medalha de prata.

No ano seguinte, em Arapongas, contando apenas com atletas radicados em nossa cidade conquistamos a mesma posição do ano anterior. 

Campo Mourão Handebol - Jogos Abertos do Paraná de 1977, em Arapongas
em pé (esq. para a direita): Jair Grasso, Nelson Rodrigues (in memorian), Marcos Alcântara de Lima, Betinho Nogaroli, Erivalto "Negão" Oliveira, Dagoberto Lüdek, Idevalci Ferreira Maia e Zé Rosa (in memorian) 
agachados: João Barbosa Filho, João Silvio Persegona, Tedy Pacífico, Ney José Kloster, Walmir Ferreira Lima e Irineu Luiz Ferreira Lima  


A bola fora aqui foi proporcionada principalmente por nós atletas que, no jogo final, contra uma equipe de basqueteiros, isso mesmo, basqueteiros de Cornélio Procópio, perdemos um sem número de pênaltis (no handebol, sete metros). Isso sem falar  de um passeio debaixo de chuva, na manhã da decisão, por um clube de campo, que nos obrigou a cair da cama bem cedinho depois de uma semifinal barra pesada na noite anterior.

Em 1978, nos Jap´s em Maringá, éramos disparados os melhores, e depois de passar por vários adversários, na semifinal enfrentaríamos a equipe da casa, no jogo mais esperado do evento. Tudo bem, tudo bom, se alguém não se queixasse de dor muscular e, então, resolveram que nós, com idade média de 18 anos, deveríamos tomar alguma coisa para tirar as dores. 

Numa farmácia, sem nenhuma orientação médica, aplicaram um relaxante muscular que tirou todo nosso reflexo e fez com que perdêssemos de maneira ridícula um jogo que não era garantido que ganharíamos - Maringá sempre foi muito forte e tinha um timaço como sempre -, mas que poderia ser muito mais disputado, poderia. 

Lembro sempre do Zé Luiz, o Zé Cuié, ala direita maringaense, passando por mim e eu só reagindo quando ele voltava comemorando o gol. Fomos para o intervalo perdendo por uma diferença de nove gols e a resultado final foi de apenas um gol pró maringaenses. Acho que foi passando o efeito do relaxante e conseguimos nos recuperar, mas não o suficiente para reverter o placar. 

Publicado originalmente no semanário mourãoense Entre Rios, em novembro de 2005.

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