Jogar a culpa em outros é próprio dos covardes

Por Abraham Shapiro - Folha de Londrina


Abraham Shapiro
Conta a lenda que, prestes a assumir o comando do Partido Comunista da União Soviética, em 1964, Leonid Brejnev recebeu três envelopes de seu antecessor, Nikita Kruschev. A recomendação era de que um envelope fosse aberto a cada crise que viesse. 

Algum tempo depois da posse, lá veio uma crise. Brejnev abriu o primeiro envelope. O conteúdo trazia a seguinte mensagem: "Ponha a culpa em mim." 

Mais alguns anos, e chegou mais uma crise. Brejnev abriu o segundo envelope herdado de Kruschev, em que leu: "Ponha a culpa em mim de novo." 

Outra crise não demorou a chegar, e Brejnev, mais uma vez lançou mão da sapiência do líder anterior. E o que a última mensagem dizia? 

- "Prepare três envelopes." 

Mesmo sendo atitude desprezível e baixa, pôr a culpa em alguém é prática corriqueira no mundo político e no ambiente do crime – organizado ou não. 

Mas a vida corporativa requer ética para que seja longeva. A regra é: "Não se preocupe com quem você elogia. Mas cuidado sobre quem você atira a culpa." 

Você e eu podemos cair muitas vezes no percurso da nossa carreira. Mas isto só será um fracasso real e humilhante quando dissermos que outra pessoa nos empurrou. 

Quem erra e dá desculpas acaba de cometer duplo erro. A raposa, arrogante e malvada em todas as fábulas, diz que a armadilha a apanhou, e não sua imprudência.

Desculpa é fraqueza. Desculpa é recurso negativo, é covardia. 

O que você faria com a mensagem dos envelopes de Kruschev? 

Assuma os seus erros. Depois, aprenda a superá-los. Só não dê boas explicações para livrar a sua cara. É horroroso. 

Eu desejo e espero, francamente, que o seu sucessor – seja ele quem for – tenha razões suficientes para se orgulhar de você. E que descubra exemplos com que se inspirar cada vez que souber das suas atitudes, decisões e superações de desafios. 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes em Londrina
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