Casas construídas por despeito fazem a gente se divertir com a humanidade

Do UOL, com dica do Ricardo Widerski


O que motiva alguém a construir uma casa? A resposta geralmente está ligada a coisas boas como a realização de um projeto de vida, um casamento ou a chegada de um bebê. Mas nem sempre é assim. Ressentimentos, inveja, rancor e desavenças podem originar as "moradias por despeito". Conheça a história de dez construções que envolvem brigas, discórdias e mágoas.

    Fatia de bolo
    Por que alguém construiria uma casa no formato de uma fatia de bolo, que vai ficando tão estreita que chega a apenas 1,37 m de largura? A construção de 1925 faz parte do folclore da cidade de Seattle, nos EUA. Os moradores afirmam que o dono da morada vizinha (à dir.) queria muito comprar o terreno ao lado para aumentar o jardim e pretendia pagar um preço bem baixo. Ofendido, o proprietário da área não só recusou a oferta como construiu a residência peculiar. Também popular, uma segunda teoria afirma que a casinha resultou de um acordo de divórcio, no qual esposa teria ficado com essa pequena parcela da propriedade. Para se vingar e irritar o ex, ela teria erguido ali a construção.
    
    Charles, o furioso
    Quem não ficaria furioso ao ter grande parte de suas terras tomada pelo município? Charles Froling, na virada do século 20, ficou irritadíssimo: ele tinha planos de construir sua casa dos sonhos na parcela da área desapropriada pela cidade de Alameda, na Califórnia (EUA). Charles não deixou por menos! Para aborrecer as autoridades locais, ergueu na estreita faixa de terra que lhe restou esse esquisito sobrado com três metros de largura e 16 m de comprimento. A construção antiga (à esq., em azul) continua preservada e habitada.
    
    Recusa do vizinho
    Em 1908, a vontade de Francis O'Reilly era se desfazer de um terreno esguio em Cambridge, no Massachusetts (EUA), e sair com algum dinheiro no bolso. No entanto, o homem não contava com a recusa do vizinho diante de sua oferta. Ressentido com a atitude, Francis decidiu construir na sua propriedade essa casa com apenas 2,4 m de largura e 11 m de comprimento. Desde 2009, uma empresa de decoração de interiores ocupa a moradia de 26,4 m².
   
    Irmão traíra
    A história dessa casa estreitíssima na cidade norte-americana de Boston daria um bom roteiro para um filme ou novela: guerra, traição e uma briga entre irmãos fazem parte do enredo. A trama começou em 1874, quando um soldado que lutou na guerra civil dos EUA retornou ao lar e descobriu que seu irmão havia erguido uma casa enorme. Tudo certo, se as terras não fossem de ambos. Ao ex-combatente, apunhalado pelas costas, restou uma mínima parcela da propriedade. Enfurecido, o irmão traído levantou na área estreita uma casa de madeira com três metros de largura, que bloqueou a luz e arruinou a vista da ampla residência do traidor.
   
    Nada de cavalos
    Em 1830, John Hollensbury se irritava muito com barulho das carroças que trafegavam pelo beco ao lado de sua residência em Alexandria, no estado norte-americano de Virgínia. Com o intuito de impedir a passagem de pedestres e cavalos pelo local, John não pensou duas vezes e ergueu na pequena área uma casa com apenas 2,1 m de largura. A moradia com dois andares conta com tijolinhos aparentes (azuis) e está preservada até hoje.

    Pintura da discórdia
    A pintura em listras vermelhas e brancas foi motivada por excentricidade ou vingança? Se você optou pela segunda alternativa, acertou! Zipporah Lisle-Mainwaring, de 71 anos, queria demolir seu imóvel avaliado em 15 milhões de libras (pouco mais de R$ 64 milhões, segundo cotação do dia 15.nov.2016) e construir uma residência de cinco andares com piscina e churrasqueira instaladas no porão. Após uma ação movida por seus vizinhos, contrários à obra, o pedido foi negado pela administração do distrito de Kensington e Chelsea, em Londres (Reino Unido). Poucos dias depois, a fachada da casa amanheceu pintada e estava bem fora do padrão das construções georgianas do bairro. Em 2015, a subprefeitura ordenou a remoção da pintura, após nova reclamação da vizinhança.

    Arco-íris do orgulho
    Aaron Jackson é fundador de uma instituição sem fins lucrativos denominada "Planting Peace" (Plantando Paz, em tradução livre), que promove iniciativas humanitárias e em prol do meio ambiente. Morador da cidade de Topeka, no estado norte-americano do Kansas, Aaron sabia da fama homofóbica da Igreja Batista Westboro. Em uma busca no Google Earth, o ativista descobriu que uma casa próxima à igreja estava à venda. Imediatamente, comprou o imóvel e começou a planejar a instalação de um museu LGBT (hoje, LGBTI) na residência. As leis de zoneamento proibiram que o projeto fosse adiante, porém não impediram Aaron de pintar a casa com as cores da bandeira do orgulho LGBTI.
  
    No meio do caminho tinha uma casa
    O médico oftalmologista John Tyler foi muito astuto (e ligeiro) em suas ações ao descobrir que a cidade de Frederick, em Maryland (EUA), planejava construir uma estrada que passaria por suas terras, compradas há pouco tempo. John descobriu uma lei local que proibia a criação de uma estrada, se no local existisse um edifício em construção. Rapidamente, Dr. Tyler contratou operários que ergueram, de um dia para o outro, a fundação da casa, impedindo assim o projeto municipal. E tudo isso aconteceu no ano de 1814! A residência, nos dias atuais, abriga um hostel.

    Trapaça do meio-irmão
    Em 1806, na cidade de Phippsburg, no Maine (EUA), a discussão entre familiares envolvendo uma herança terminou na construção desse belo casarão. Ao voltar para casa depois de uma temporada em alto-mar, Thomas McCobb descobriu que seu meio-irmão tinha herdado a mansão da família, que ele acreditava ser sua por direito. Com muita raiva por ter tido seu patrimônio negado, Thomas levantou essa residência luxuosa em frente à casa do meio-irmão, buscando ofuscá-la. Em 1925, reza a lenda que o casarão de Thomas foi desmontado e transportado de Phippsburg para a cidade de Rockport, também no Maine.

    Rival nos negócios
    Em 1906, John Randall era um empreendedor de Freeport, em Nova York (EUA). Para impedir o plano de um investidor rival, que desejava prolongar a avenida Lena em uma linha reta na direção oeste, John ergueu uma casa vitoriana - praticamente da noite para o dia - no terreno triangular bem em frente ao fim da rua. Sua obra repentina obrigou o desvio da avenida, que forma uma bifurcação com a rua Wilson Place. Ainda hoje a construção é um ponto turístico da cidade norte-americana.
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