Stúdio Old Tattoo

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Estudantes transformam urina em eletricidade

Bactéria ‘mastiga’, ‘come’ as impurezas e as transforma em prótons e elétrons

 Dispositivo, utilizado em campo de refugiados, é capaz de purificar a água | Centro de Bioenergia-Bristol Robotic/Divulgação
A urina já foi utilizada ao longo da história para vários fins, como para lavar roupas em Pompeia, por exemplo. Agora, estudantes de ensino fundamental da Inglaterra começaram a utilizar a substância para produzir energia.

O experimento começou no ano passado quando dispositivos chamados de ‘células de combustível microbianas’ (MFC), criados na Universidade de West England, mostraram que é possível gerar eletricidade barata e confiável a partir de urina com a ajuda de pequenos organismos. Os MFCs também são capazes de purificar a água e podem ser usados como fertilizantes.

O cheiro era realmente nojento. 
Mas este foi o trabalho mais interessante, científico e maduro que fizemos. Eu adorei.
BETHAN MORRIS
Aluno de 11 anos

Oxfam, uma instituição de caridade com atuação em 96 países, planeja instalar MFCs em lugares onde a eletricidade não está disponível e a água limpa é escassa. E, como parte de uma doação da Fundação Bill Gates e Melinda, o centro de bioenergia da universidade começou um projeto para ensinar as suas conclusões sobre o MFC para alunos do ensino fundamental perto de Bristol, Inglaterra.

A universidade forneceu jalecos, óculos de segurança e luvas para os alunos, disse Jessica Hill, de 11 anos. “Éramos como verdadeiros cientistas. Estávamos aprendendo algo novo, foi realmente envolvente.”

“Mas nós utilizamos urina artificial”, disse Carter Bourton Verde, de 10 anos, explicando que os professores não queriam que as crianças manipulassem urina na escola. O mix falso era composto por água barrenta da escola, fragmentos de substâncias apodrecidas, açúcar e até refrigerantes diet.

Embora o processo de MFC seja conhecido desde 1911, um dos cientistas responsáveis pela pesquisa, Jonathan Winfield, disse que a tecnologia MFC é revolucionária. Segundo ele, pelo MFC é possível transformar um banheiro portátil ou latrina em uma fonte confiável de eletricidade para alimentar uma fonte, recarregar baterias ou abastecer postes de iluminação.

“Isso é vital, por exemplo, em campos de refugiados”, disse ele, referindo-se a áreas onde é inseguro para as mulheres irem ao banheiro à noite.

Produção
“Nós fizemos os MFCs sozinhos”, disse Megan Walsh, de 12 anos, explicando como as 10 equipes de seis crianças em sua escola participaram da iniciativa. Sua equipe, com o nome de “Pequenos Einsteins”, começou o projeto montando um kit projetado para eles na universidade. É semelhante aos MFCs usados em campos de refugiados.

O MFC é parecido com um sanduíche. As crianças colocam um punhado das bactérias entre dois quadrados de plástico transparente e o apertam.

Pequenos tubos são conectados ao MFC. 
A água suja entra pelo tubo e a bactéria ‘mastiga’ e ‘come’ impurezas da água e a despeja de novo para fora.

As bactérias quebram a sujeira da água em prótons e elétrons. Como os prótons são carregados positivamente e os elétrons negativamente, combinados, são capazes de gerar eletricidade. Dois pequenos fios de ambos os lados do quadrado “capturam” a eletricidade produzida.

“O cheiro era realmente nojento”, confessou Bethan Morris, de 11 anos. “Mas este foi o trabalho mais interessante, científico e maduro que fizemos. Eu adorei.”

Jessica disse que quis explicar o projeto para a sua família, incluindo como os MFCs podem mudar o mundo. Alguns especialistas dizem que cerca de 28% da água limpa no mundo é consumida por banheiros comerciais. MFCs poderiam ser usados para produzir eletricidade barata, e eles poderiam reduzir a energia necessária para o tratamento de água potável e águas residuais, disse ela. “Poderia ajudar na batalha contra o aquecimento global.”

Para Will Marlow, de 11 anos, a melhor parte do projeto foi quando todas as equipes uniram seus MFCs, onde os fios de dispositivos de todos os estudantes foram amarrados juntos. As crianças fizeram uma contagem regressiva e um interruptor foi acionado para ver se eles tinham produzido eletricidade suficiente para alimentar uma lâmpada.

“Nós conseguimos”, disse Will. “Foi bom aprender coisas novas, e ver o que funciona.”
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